Arquivo da categoria: Nostalgia

Meu Primeiro Computador

Sou nascida de 1980, computadores nesta época eram aquelas telas verdes com comandos por tags. Mas nesta época eu nem sonhava com o que viria a ser um computador. Os telefones eram com fios, de discagem analógica. Era também o tempo da sala de televisão, uma tv por casa, e ter uma mini-televisão na cozinha era sinal de status. Era tempo de Lu’s patinadoras que eu nunca tive, e brinquedos sem sentido como pogobols e molas malucas. Foi quando eu tive o que eu considero o meu primeiro computador.

Meu computador era fantástico, provavelmente nasceu de uma compra de supermercado. Eu não me lembro exatamente como foi que encontrei aquela caixa, e como consegui enxergar um computador nela. A caixa tinha uma tampa única, com uma das bordas presas, assim como as caixas de sapato. Virei-a de forma que ficasse como um teclado, e a sua parte superior, da caixa se tornava o monitor. E todas as vezes que eu batia naquela tampa de papelão ela fazia um barulho de bater na mesa,muito parecido com o das teclas do meu computador. E por fim desenhei as teclas, onde poderia “escrever”.

Mas não, ainda não era um computador. Não ainda. Cortei na caixa um retângulo, deveria ter uns  30 x 40 centímetros, peguei duas garrafas de plástico, coloquei dois palitos de churrasco dentro e perfurei horizontalmente a caixa, e encaixei as duas garrafas uma em cima da outra. Peguei papel escrevi alguma coisa que hoje eu não me lembro, colei com durex, e coloquei em volta das garrafas, de forma que ao girar as garrafas, a “tela” do meu computador ganhasse movimento. Não satisfeita. No meu lado direito fiz um buraco e finquei um tubo de plástico. Este era meu manche.

E assim nasceu meu primeiro computador. Do sonho de uma pequena garota. Me sentia uma astronauta, subindo aos céus na Apollo 13, junto com o Tom Hanks naquele filme. Por algum tempo aquela caixa foi o meu maior tesouro. E a sensação de aventura que tive nunca me sairá da memória. E posso até estar errada, mas nem todo o ciberespaço com toda a sua realidade aumentada, conseguiu chegar perto da sensação de viagem no espaço que eu tive com ela.  E acredito que nem todo a tecnologia do mundo será capaz de criar sensação daquela menina. Pois foi um ambiente criado pela imaginação, porém mais palpável que qualquer tentativa virtual. E se tornou  insubstituível e irreproduzível porque simplesmentenão foi gerado pelo mundo real. Apenas o imaginário.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.