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Adeus, Saramago
Morreu na última sexta 18/06/10, José Saramago, escritor português e ganhador do prêmio Nobel de Literatura por seu livro “Ensaio sobre a Cegueira”.

Confesso, nunca consegui ler um livro seu. Tentei. O Ensaio Sobre a Lucidez. Mas talvez fosse necessária mais lucidez do que eu dispunha no momento para poder compreendê-lo. E são tempos difíceis. Então o atraso dos dias me fez devolvê-lo ao seu devido lugar. Senti-me frustrada. Falaram bem de você. Apesar de nunca me explicarem exatamente o porque. Na verdade nem era comigo. Em uma conversa de alguém, seu nome ecoava sonoro, e convenhamos, Saramago não é um nome que passa despercebido. Prestei atenção. Falava de sua tão famosa estrutura literária. Ou a falta dela. Desde então, todas as vezes que passo por livrarias e bibliotecas, seu nome sobressai. Suas peculiaridades são notórias, desde o famoso Nobel de literatura, sua proibição à tradução de sua obra para o português brasileiro, mas em essência, a arte de contestar, confundir, desconstruir, criar a hipótese fictícia para imaginar como seria o comportamento humano. Podendo esta ficção ser transportada para nossos conflitos pessoais e reais. Vi isso em Ensaio Sobre a Cegueira, este sim. O filme. E sua comoção sincera ao final dispensa qualquer explicação. Por fim, tento neste texto até te imitar, mas sei que erro grosseiramente. Afinal, como imitar se nunca te li? Enfim, eu te imagino. Pouco sei. Mas isso significa que tenho muito para saber. E sei que quando quiser te encontrar, te encontrarei em suas palavras. E espero estar preparada para lê-las e absorvê-las e transformá-las em evolução. Por isso escrever imortaliza. Sei onde te encontrarei. E este adeus é só um até breve.
Adeus, Saramago. Ou Até breve.