Arquivo da categoria: Trilhas Sonoras

Invictus, a ampla visão de Mandela

“De dentro da noite que me cobre,
Negra como a cova, de ponta a ponta,
Eu agradeço a quaisquer deuses que sejam,
Pela minha alma inconquistável.

Nas garras das circunstâncias,
Não estremeci, nem gritei em voz alta.
Sob os golpes do acaso,
Minha cabeça está sangrando, mas não está abaixada.

Além deste lugar de ira e lágrimas
Só surge o Horror das sombras.
E apesar da ameaça dos anos,
Encontra-me, e me encontrará sem medo.

Não importa quão estreito o portal,
Quão carregada de punições a lista,
Sou o mestre do meu destino:
Sou o capitão da minha alma”
-Morgan Freeman como Nelson Mandela.

Eu sou particularmente fã de filmes baseados em fatos históricos, principalmente relacionado a grandes líderes mundiais. Desde A Rainha, O Último Rei da Escócia, Frost/Nixon. E como eles lidaram com tamanha responsabilidade e com grandes conflitos. Esse filme em especial, traz um grande lider com ideais nobres. Depois de passar 26 anos na prisão, ao sair ele se nega a fazer o mesmo com a parcela branca da população, o que fizeram com os negros. E ele usa o esporte como elo de ligação entre os dois lados. Mas não é um caminho fácil. Se fosse, haveriam muitos Mandelas e o mundo estaria salvo.

Outra coisa que chamou a minha atenção, foi ao fato de ser considerado um terrorista. Depois ser desacreditado pelos mais próximos, e isso é um grande clichê. Poucos são aqueles que mesmo contra todos, acreditam que certas coisas são possíveis e são corajosos para lutar por seus ideais. Mas essa inversão de valores é tão estranha.

Voltando ao cinema, grande atuação do Morgan Freeman, com certeza a minha torcida para melhor ator do Oscar 2010. Não só ele mas todos os atores usam esse sotaque africanizado, que talvez passe despercebido aos estrangeiros, mas é muito bem apresentado no filme. O roteiro consegue mostrar os pensamentos de Mandela com clareza, e há várias passagens memoráveis, uma das mais marcantes essa em que ele declama o poema que o inspirava. Que grande parceria essa com Clint Eastwood. Matt Damon complementou o filme, e eu que tenho apenas aquela visão de Ultimato Bourne, consegui desprender ele daquele papel. Não que eu já o tenha visto em outros filmes, mas pela primeira vez me chama a atenção. E a trilha sonora é lindíssima. Abaixo eu vou deixar uma das músicas que se chama 9000 dias, referente aos dias que ele passou na prisão.

E por fim, o filme fala sobre inspiração. Quando todos te julgam insano por querer que as coisas sejam diferentes. Não basta apenas achar que as coisas poderiam ser melhores, tem que fazê-las acontecer. E isso é o mais difícil. Mas sem ela pensamentos são inúteis.

Cinemusic: Hello Sunshine em Um certo Olhar

Cinemusic será a nova sessão do Cinesense que tratará de músicas temas, músicas marcantes de filmes….

“Tão difícil dizer adeus
Significado do dia de hoje
Eu já dei adeus antes
Deixei-o sozinho
no mar
É tão difícil dizer adeus.

Olá luz do sol,

Entre na minha vida
Honestamente
Já faz muito tempo
Desde que tivemos razão para deixar de sorrir
Olá luz do sol
Entre na minha vida”.

Hello Sunshine faz parte da trilha sonora de “Um certo olhar”. Como o próprio nome diz, é um olhar diferente da vida. Pessoas com visões diferentes, e maneiras diferentes de ver a vida e de entender a vida e encarar a vida. O filme é um drama em que Alex Hughes (Alan Rickman) dá carona a Vivianne, mas ocorre um  acidente de carro, causando-lhe a morte. Atormentado pela culpa, Alex resolve procurar a mãe de Vivienne e encontra Linda(Sigourney Weaver) , uma mulher com uma diferente percepção da vida.

O filme tem um descompromisso com o jeito hollywoodianoso tornando-o  mais real e singelo.E a música reflete a personalidade de Vivianne, uma garota alegre, animada, diferente, um contraste do próprio Alex. E me marcou de uma maneira tão forte que volta e meia me vejo cantando “Hello Sunshine, come into my life…”. Depois de assistir ao filme, sentirá a música de outra maneira. Quando tudo parece triste, cansativo, este convite da luz do sol ir ao encontro da sua vida, faz sentir como se ele me iluminasse, mesmo que o dia esteja chuvoso.

Difícil dar detalhes do filme. Mas vale a pena ser visto. Por muitas vezes quando se sentir sozinho, vai repetir, Hello Sunshine come in to my life…

Um Certo Olhar(Snow Cake)

Hello Sunshine- Super Furry Animals

This is It

mj

“É isso, eu estou aqui. Sou a Luz do mundo, sinto-me grandioso. Peguei esse amor, eu posso sentir. E agora sim, com certeza, é real”.- This is it- Michael Jackson.

Eu nunca fui fã de musicais. E sempre achei que cinema e música não combinavam(quando a música era mais importante que o cinema, que isso fique bem claro). Talvez ainda ache. Mas neste caso não há outro remédio. E como é amargo esse remédio. Tudo bem, eu não iria vê-lo ao vivo. Não por falta de vontade. E Madonna já disse nunca mais por os pés nesta ilha. Então minha chance de ver os dinossauros do Pop são praticamente nulas. Enfim. Acabei por ir ver This is it. E sinceramente não sei quantas coisas passaram pela minha cabeça.

Começando pelo básico do clichê: Por que ele tinha que deixar este mundo justo agora? Mas é inevitável pensar isso. Depois de tantos problemas com a mídia, depois de tantas polêmicas, ele tomaria o seu lugar de direito novamente. Sabe o filme Hook, quando Peter Pan adulto volta a terra do nunca, e os garotos perdidos começam a olhar ele pra ver se ele é mesmo peter pan? Pois é. Quando você olhava ele deslizando sobre o palco, apenas com os movimentos dos pés pensa: Ele está vivo. Sem querer fazer trocadilho ignorante. No sentido de ali dentro continuava sendo o Michael de Triller, de Beat it, do Moonwalk,  de Billie Jean .  Toda aquela mudança superficial não havia causado danos ao ser artista que ali vivia.

Uma coisa que eu tive vontade de fazer: Levantar e começar a dançar alí mesmo dentro do cinema. Meus pés batiam no chão de acordo com a música, minha cabeça balançava, mas eu queria pular, bater palmas… E não duvido que tenha havido algum cinema em que as pessoas se levantaram. Evidente que não aqui no Japão. Pensei: por que não passar esse vídeo em uma “times square” da vida? Por que apesar de ser um vídeo, ele é feito pra gritar, pra cantar junto, pra dançar.

Meu segundo pensamento clichê: ele será lembrado como o melhor dançarino pop. Me lembrei de um extra do DVD da Elis Regina, que seu filho João Marcelo fala que a mãe teve a tragetória de um astro. Mas ele fala isso com pesar e que não queria que isso acontecesse. E faz sentido. Deixar o mundo no auge e não na queda. Insensível, eu sei. De qualquer forma, ele é o grande Rei do Pop. E ainda bem que esse documentário existe, como uma grande carta de despedida. Uma carta alegre, que tudo enfim vai estar bem.

Tudo acontece em Elizabethtown

Quer ser realmente vitorioso? Então tenha coragem de cair do alto e sobreviver. – Kirsten Dunst como Claire.

Às vezes é importante dar uma segunda chance para as coisas. Este é o caso de Elizabethtown, que por coincidência é também é parte do tema deste filme. Eu havia assistido ele quando passou aqui no cinema, mas como o assisti em japonês e tinha uma expectativa muito grande por causa do seu trailer espetacular(que acabo de descobrir não ser o oficial), não me impressionei muito com o filme, e tão pouco figurava como um filme de minha estima. Mas ao ouvir falar dele recentemente, resolvi assistir novamente agora em português. E que agradável surpresa vêli-lo com tanto sentimento. Realmente havia perdido o que havia de mais importante por não entender muito bem o que havia sido dito. Mas enfim, vamos ao filme.

O foco da história é o valor das coisas que achamos importantes, e que grau de importância damos as coisas. Drew, interpretado pelo Orlando Bloom, se considerava uma pessoa bem sucedida, designer de uma das maiores empresas de calçado do país, namorando com uma garota bonita, mas o último projeto dele dá um prejuízo de um bilhão de dólares, e a sua demissão. Com o seu fracasso ele tenta se matar, mas ao mesmo tempo ele fica sabendo que seu pai faleceu ao visitar a sua cidade natal. Então ele tem que voltar a Elizabethtown para cuidar do funeral, mesmo tão absorto com o seu próprio problema. E tudo que acontece em ElizabethTown, mostram uma outra perspectiva sobre o que é o sucesso e a felicidade.

Esse contraste mostrado, te dá vários ângulos, e varias visões do sucesso, e diferentes sucessos. E te faz refletir sobre o que realmente ele é.  E são tantos os valores ligados a essa história e tantas as correlações que você pode fazer. Seria o sucesso, ter aquele grande emprego, e aquela namorada como consequência do mesmo? E quando ele perdeu tudo aquilo, ele realmente havia perdido tudo? E tudo o que ele havia perdido? O tempo que ele não via o pai, a família. E Claire mostra pra ele esses outros valores e coisas importantes. Que aquilo que ele achava ser a sua vida e que a havia acabado na verdade não era tudo. Que ainda existia muito mais. É difícil explicar. Por que na história nenhum dos personagem se apresentam como senhores da razão ou gurus. E sim como um coisas  se que acontece com todos nós ao termos perdas, descobrimos outros valores. Valorizar sua família. Descobrir que seus fracassos não te condenarão a ser um fracassado. E isso é só uma pequena parte das muitas lições que você pode tirar deste filme.

O filme mescla o riso e o dramático de uma forma incrível, as expressões humanas e o que não é dito são mais fortes que o próprio texto. Não é necessário que alguém explique o quanto o pai de Drew representava para a cidade, para a família. O modo como as pessoas acolhem esse parente que a muito tempo não viam demosntra isso. O sistema de incêndio acionado, a água caindo, representando a alma sendo lavada é sensacional. As pessoas acenando quando ele chega…

Em destaque também as atuações de Orlando Bloom, que está em seu melhor papel como ator, quando ele finalmente consegue se conectar ao seu pai e ele conversa com ele, aquela cena que ele chora dentro do carro é emocionante demais. A Susan Saradon, dançando sapateado em homenagem  e toda a aura de sentimento envolto nessa cena. E a trilha sonora com uma das músicas mais lindas que eu já vi em um filme. Todos esses quesitos, fazem com que Tudo acontece em ElizabethTown, entre pra minha lista de filme preferidos. Abaixo vai o trailer não oficial que eu vi e me apaixonei, talvez te entusiasme para assistir ao filme, como fez comigo.

 

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