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Porque a motivação fundamental do cinema é provocar sentimentos.

As camadas de sonhos de Christopher Nolan

Mesmo depois de um mês de sua estréia, Inception continua gerando discussões por onde passa e dividindo opiniões. De um lado um público impressionado por algo que ainda não consegue definir, de outro um vasto mundo histórias parecidas já contadas nas telas do cinema. Os críticos atacam a falta de originalidade, como uma colcha de retalhos de filmes que já foram vistos. O público aclama, embasbacado com a vasta nuvem de possibilidades que o filme deixa em aberto. Sim, impossível não elogiar as camadas bem produzidas, a gravidade inexistente. Mas é original? Se não, o que atraiu tanta atenção, se não há novidades nem a narrativa em sua técnica? A idéia.A inserção da idéia.

A idéia é ponto chave de toda história, seja ela real ou ficção. É a base da criação e da mudança. Da invenção da roda ao avião ela é o ponto inicial de toda a ação que gera o novo. Mas a idéia de inserir uma idéia é tão paradoxa quanto sua própria trama. Dizem que a idéia vem da inspiração, você cria algo novo, mas será realmente novo? Lavoisier já disse: nada se perde, nada se cria, tudo se transforma. Ou tudo se copia. Eis a questão.

Mas se a real idéia não existir realmente, há de se concluir que pode-se de alguma forma induzir a criação? De acordo com Nolan, parece que sim. Meu intuito neste post é tentar entender a cabeça de Nolan, baseado em seus feitos no cinema e a sua própria filmografia. Afinal, essas também não são as camadas do próprio Nolan? Mas não é tarefa simples.

A começar por Amnésia, filme que o fez ser notado pela crítica. Por que fez tanto sucesso? Amnésia usa a desordem das cenas para causar peculiaridade, mas contar histórias partidas é uma prática recorrente muito utilizada por escritores em geral para criar suspense a suas obras. A genialidade de Nolan é conseguir dar fundamento a falta de ordem. Ao usar uma característica patológica da doença que dá nome ao filme, elecriou um motivo para a história ser contada daquela maneira. Amnésia e seus vários pedaços de memória formam a história no qual há um sentido ter sido feita daquele jeito. Nolan consegue dar sentido ao mais absurdo que algo possa parecer.

Em Batman Begins, Christopher recomeça uma história desacreditada. Mas para isso precisa dar credibilidade a motivação de seu personagem, dando-se ao trabalho de recontar a origem das habilidades, seus traumas e limitações, deforma que acreditemos nas suas convicções. Ele nos convence que aquilo pode ser possível. Detalhista, ele pontua cada parte de sua criação, psicológica, física, mental e até financeira, para que aquele herói possa existir ao mais próximo possível da nossa realidade. E acredito que com êxito, Batman se tornou referência do herói de quadrinhos no cinema. E a genialidade de Nolan se completa, quando ele cria um vilão a altura de seu herói em Batman, o cavaleiro das trevas. O completamente perturbado Coringa. Ele retira qualquer resquício de sanidade, extrapolando qualquer limite de bom senso contra os outros e contra si mesmo. Mostra seu menosprezo quando a própria dignidade ao se vestir de enfermeira, valores humanos, ao inserir uma bomba em um ser humano e a valores materiais, queimando literalmente dinheiro, muito dinheiro. E este personagem testa o mundo, e a nós de nossas próprias convicções.

Mas a grande chave da mente de Nolan está em Prestigie(em português “O grande truque”). Dois ilusionistas, um com um bom truque e outro com a visão do espetáculo. Mais do que isso, duas personalidades com qualidades diferentes que se completam e que saíram da mente da mesma pessoa, Christopher Nolan. Na corrida para se tornar o melhor ilusionista do país, Angier, para conseguir criar o efeito de seu número de mágica, abdica da sua visão dos aplausos da platéia ao final do espetáculo. Porém aquele preço é alto demais a ser pago. E a cena em que ele está embaixo do palco, onde ele apenas consegue ouvir a ovação da platéia, e faz seu agradecimento mesmo que cego ao seu público é uma das mais significativas. Desde então ele vai em busca de aprimorar o espetáculo até poder ver com seus próprios olhos o resultado de seu grande show, e mais realmente ser reconhecido e recompensado por sua atração. É possível se pensar que a mente de Nolan também funciona da mesma maneira, não?

Se formos juntar tudo isso, se essas são as camadas de Nolan, podemos concluir que Nolan, o grande ilusionista, resolve enfim colocar o seu próprio grande truque em prática? Em seu grande número, Inception, em primeiro lugar ele torna seu espetáculo algo mais próximo da realidade, usando sensações que qualquer pessoa já teve ao sonhar. A perda de noção do que é real nos nossos sonhos, a correlação dos sonhos com os nossos sentidos externos e até mesmo o nosso espanto ao acordar quando pensamos cair. Feito isso, ele também já conseguiu fazer com que acreditemos que aquela maneira de contar a história tenha sentido. E por fim, ele começa seu grande show. Como a audácia de um grande mágico, ele conta o grande segredo de seu truque para a sua grande platéia. “Eu vou inserir uma idéia”, diz Nolan. E ao longo de todo espetáculo ele te conta minusciosamente como ele vai fazer isso, “criarei um novo mundo, vendarei seus olhos, e quando contra até três, voila” . Mas não é um truque qualquer, ele sabe muito bem o que faz. E você pode pensar que já sabe tudo, mas ao final ficará se perguntando o que realmente aconteceu. Sim, a mágica aconteceu. Um truque velho, é verdade, porém bem elaborado e transformado em um grande espetáculo. Ele engana seus sentidos, te distrai contando a verdade, e simplesmente faz acontecer. Christopher Nolan consegue ver a platéia reconhecer seu grande feito, os atores por melhores que sejam, não são os admirados da vez. Christopher consegue sim sair de trás da coxia e receber os aplausos de seu público. E lhe é merecido. Christopher Nolan é mais uma vez a personalidade por trás de seus personagens, o ladrão de idéias, o insersor de idéias. E você ainda duvida que Christopher Nolan conseguiu transcender as telas do cinema e inserir a sua própria idéia na mente do mundo todo? Pois olhe de novo.

Kick-Ass, real e possível

“O quão distante você iria para ajudar outra pessoa? – Apresentadora de TV em Kick-Ass”.

Ps: Olhe bem para a foto ao lado, no final deste post você voltará a ela, com outros olhos.

Kick-Ass. Mais um filme de super-herói. Talvez menos super, talvez mais herói. A mesma história, um prisma inusitado, Kick-Ass consegue transformar em real tudo o que torna a história de super-heróis uma ficção distante de seus leitores. Na verdade, ele é retrato dos próprios leitores de HQs. Todo mundo algum dia já quis ser o Super-homem e gritar: “Para o alto e avante!”. Mas será que precisamos voar para sermos heróis? É sobre isso que fala Kick-Ass. O filme passa realidade. Mais que isso, possibilidade. Nada de super poderes, apenas uma fantasia de super-herói, senso de justiça e coragem.

Kick-Ass impressiona em muitos aspectos, é uma mistura de vários gêneros, mas o que me chamou a atenção foi a crítica social que ele faz ao nosso mundo atual, porém nada diferente do mundo de todos os tempos. Quando coisas ruins acontecem, a sociedade esmagadora passou a ignorar a pessoa ao seu lado. Ninguém mais se importa. Com nada nem com ninguém. Se vemos alguém sendo injustiçado, limitamos a olhar e não nos envolver para não sobrar para nós. Nos achamos tão desenvolvidos, defensores dos direitos, mas não temos ação. Ou se temos é controlada e sem riscos, revolta na internet. Se alguém é roubado, já pensamos que não adianta chamar a polícia, eles não resolvem essas coisas. Outras vezes até colocamos a culpa nas outras pessoas por terem saído com seus pertences. “Não se vista bem, não use coisas de valor, não chame atenção”. Somos ratos. E Kick-Ass fala disso, de coragem, audácia.

Poderia falar sobre as lutas, cenário, figurino, mas o filme fala por si só, extraordinário. É volta do Nicholas Cage fazendo algo que gosta e acertando a mão desta vez. Bom roteiro, ótimas atuações, emocionante, vibrante, engraçado, dramático, carismático, diferente, Kick-Ass vale a pena ser assistido, um dos melhores filmes do ano com toda a certeza. E fica a pergunta: Quão ignorante e cego você se torna diante da injustiça do mundo? Você é o que fica atrás do vidro, como na foto acima, enquanto alguém precisa de ajuda? Só sei que eu me tornei fã. E sempre que eu puder, atravessarei o vidro.

Nota: 10

Invictus, a ampla visão de Mandela

“De dentro da noite que me cobre,
Negra como a cova, de ponta a ponta,
Eu agradeço a quaisquer deuses que sejam,
Pela minha alma inconquistável.

Nas garras das circunstâncias,
Não estremeci, nem gritei em voz alta.
Sob os golpes do acaso,
Minha cabeça está sangrando, mas não está abaixada.

Além deste lugar de ira e lágrimas
Só surge o Horror das sombras.
E apesar da ameaça dos anos,
Encontra-me, e me encontrará sem medo.

Não importa quão estreito o portal,
Quão carregada de punições a lista,
Sou o mestre do meu destino:
Sou o capitão da minha alma”
-Morgan Freeman como Nelson Mandela.

Eu sou particularmente fã de filmes baseados em fatos históricos, principalmente relacionado a grandes líderes mundiais. Desde A Rainha, O Último Rei da Escócia, Frost/Nixon. E como eles lidaram com tamanha responsabilidade e com grandes conflitos. Esse filme em especial, traz um grande lider com ideais nobres. Depois de passar 26 anos na prisão, ao sair ele se nega a fazer o mesmo com a parcela branca da população, o que fizeram com os negros. E ele usa o esporte como elo de ligação entre os dois lados. Mas não é um caminho fácil. Se fosse, haveriam muitos Mandelas e o mundo estaria salvo.

Outra coisa que chamou a minha atenção, foi ao fato de ser considerado um terrorista. Depois ser desacreditado pelos mais próximos, e isso é um grande clichê. Poucos são aqueles que mesmo contra todos, acreditam que certas coisas são possíveis e são corajosos para lutar por seus ideais. Mas essa inversão de valores é tão estranha.

Voltando ao cinema, grande atuação do Morgan Freeman, com certeza a minha torcida para melhor ator do Oscar 2010. Não só ele mas todos os atores usam esse sotaque africanizado, que talvez passe despercebido aos estrangeiros, mas é muito bem apresentado no filme. O roteiro consegue mostrar os pensamentos de Mandela com clareza, e há várias passagens memoráveis, uma das mais marcantes essa em que ele declama o poema que o inspirava. Que grande parceria essa com Clint Eastwood. Matt Damon complementou o filme, e eu que tenho apenas aquela visão de Ultimato Bourne, consegui desprender ele daquele papel. Não que eu já o tenha visto em outros filmes, mas pela primeira vez me chama a atenção. E a trilha sonora é lindíssima. Abaixo eu vou deixar uma das músicas que se chama 9000 dias, referente aos dias que ele passou na prisão.

E por fim, o filme fala sobre inspiração. Quando todos te julgam insano por querer que as coisas sejam diferentes. Não basta apenas achar que as coisas poderiam ser melhores, tem que fazê-las acontecer. E isso é o mais difícil. Mas sem ela pensamentos são inúteis.

Tarantino Samurai no comercial da SoftBank

O primeiro post do ano é praticamente um presente. Acabei de legendar em português  o comercial que o Tarantino fez para a Softbank.  Eu fiquei louca quando ví essa propaganda na TV, imaginando o quando o Tarantino é louco pela cultura japonesa, transparece no rosto dele a satisfação de estar participando daquilo. E que está se divertindo.  Ficou sensacional.

“Funny People” e… não.

George é um cômico stand up de tremendo sucesso que um dia descobre ter uma doença incurável e que lhe resta menos de um ano de vida.  E ele conhece o Ira também é cômico, possui um grande talento, mas trabalha num restaurante e ainda sonha em se tornar um artista de respeito nas poucas vezes que sobe ao palco. Certa noite, no entanto, os dois homens acabam se apresentando no mesmo local. George imediatamente percebe o rapaz e decide contratá-lo para ser seu assistente pessoal. Nasce então uma grande amizade entre ele… e…E…

E não, não é nada disso. Quem vê eaquele poster estilo “best friends” com sorrisos e carinho nem sequer pode imaginar o quão  enganado está sendo pela marketing desse filme. Eu estava um tanto desconfiada desse filme por ser do Adam Sandler. Mas alguma coisa( ter ouvido como um filme esperado no podcast de cinema da MTV #falomesmo) me fez assistir e…. não ele não é nada disso. O filme não consegue ser engraçado. E sabe que a idéia é boa? Mas não. Piadas de comediantes escritas por roteiristas. E se não é engraçado, talvez ele trouxesse alguma lição, algum drama, e não também. O filme passa todo com o ator principal sendo escroto. E essa relação de amizade não funciona.  Você fica o filme todo esperando o que realmente vai acontecer. E quando acontece, são os créditos. E não fosse estar escrevendo aqui, diria ter sido uma grande perda de tempo. O nome já é uma grande ironia. De gente e de engraçado esse filme não tem nada. Não se engane, esse filme não vale nem o tempo do seu click no trailer.

E minha pergunta fica: para onde foram os bons filmes de comédia?

Julie e Julia

“Existe algo melhor do que manteiga? Pense nisso. Toda vez que provar algo delicioso além da imaginação e disser: “O que vai nisso?” A resposta sempre será “manteiga”. É incrível. Isso foi preparado com doçura, é por isso. O dia que um meteorito vier em direção à Terra e só nos restar 30 dias de vida, vou passá-los comendo manteiga. Manteiga nunca é demais”. – Amy Adams como Julia, escrevendo em seu blog.

Engraçadas as coincidências da vida.  Eu assisti Julie e Julia no dia do meu aniversário, 26 de novembro em que fiz 29 anos, e me fazia as mesmas  perguntas sobre o que será dos 30 anos. E até pouco tempo estava paranóica e pensando: “Meu Deus, ainda não fiz nada da vida!”. E cai no meu colo um filme querido como esse.

Acho que não tem como definir o filme de forma melhor: querido, aconchegante, acolhedor.  O filme conta simultaneamente a história de duas personagens, em tempos diferentes, a primeira Julie(Meryl Streep), um americana que após se mudar para França aos quarenta anos, decide  aprender cozinha francesa e escrever um livro para americanos, e a segunda Julia(Amy Adams) ao se deparar com o como está a sua vida à véspera dos 30 anos, resolve fazer um blog com duração de 1 ano, contando as suas impressões de como é cada receita das 500 e tantas existentes nos livros de Julie. Julia acaba por tomar Julie como sua grande inspiração. Não só na culinária, mas sim na maneira de enfrentar a vida.  E essa ligação é mostrada de forma tão natural, e é  contada de uma forma tão espontânea, que é saboroso absorver essa história. As atuações belíssimas, Meryl Streep dispensa comentários tal grau de profissionalismo e talento desta mulher, e Amy Adams que com dificuldades lembrei sendo a aviadora de Uma noite no museu 2, aqui é graciosa, cômica sem ser exagerada e com um brilho no rosto bastante notável. O roteiro é bem escrito, o cenário se destaca bastante, rico em detalhes, e essa relação das duas personagens entre elas, e elas e as dificuldades da vida é muito bem feito.

Vale a pena assistir. Além de uma boa história é um sopro de esperança e ânimo para aqueles que batalham e tem grandes obstáculos a ultrapassar, assim como eu , que também estou aqui com meu blog, escrevendo e achando que estou falando sozinha, pra quem sempre começa alguma coisa e para no meio do caminho, este filme é uma boa pedida.

Veronika Decide Morrer

“Ninguém percebeu que todo mundo ficou completamente louco? Por que temos tanto medo de ver as coisas como realmente são? Slogans como este conseguiram desviar nossa atenção das coisas que realmente importam. Não há outra saída. Quero que as pessoas saibam que preferi me matar a participar da loucura coletiva desse mundo em que vivemos. Esse não é o mundo real. Adeus”. -Carta de suicídio de Veronika para uma  revista.

Acabei de assistir Veronika Decide Morrer e , respirando profundamente me sinto obrigada a dizer que não gostei da sua adaptação. Detestável, triste e insensível. E nem é por uma suposta expectativa, já que eu lí o livro e tenho grande apreço por ele, mas fiquei imaginando como pessoas que não leram o livro ficaram sem entender o porque de suas reações.

A única coisa que posso imaginar é que o roteirista traduziu o livro pelo Tradutor Google, tamanha foi a falta de percepção com os diálogos quase inexistentes. Depois deste coloco o diretor que deixou com que as cenas não tivessem sentido nenhum. Nada aquilo que acontece tem um porque. Nem o porque do tapa no senhor na sala de estar, ou da sala de piano, o espanto de Veronika ao descobrir que Edward não é esta exatamente esquizofrênico, ou vai entrar em tratamento. Nada tem a angústia dos últimos dias. Aliás, Veronika não tem como seu fim com um prazo de uma semana, o que torna todo o tema bastante jogado, não dando o tom do desespero dela pelos seus últimos momentos de vida. O psiquiatra mal aproveitado, sem uma conclusão para sua pesquisa sobre a amargura. Mari que no livro é a única que sabe que Edward já não é mais esquizofrênico que conhece toda a história de Villete, e das pessoas que estão alí pela simples opção de não enfrentar o mundo fora, sem sequer serem doentes. E Edward que não parece nem de longe um esquizofrênico? Que fica rindo para as pessoas? E mesmo o ator tendo um olhar forte, fica totalmente apagado sem a mínima força que existe no livro. E isso pra mim é tudo falta de uma boa direção, porque os atores tinham potencial para muito mais. Sarah Michelle Gellar, que fez a Buffy, estava ótima, mas poderia ter sido muito mais. David Thewlis, que é o querido Remus em Harry Potter, aqui, por não aostar em um novo estilo para o ator, quase pensei que sacaria sua varinha e correria atrás de Rabicho.

Pra mim os roteiristas apenas usaram o plot da história e os nomes e criaram outro história em cima disso. Isso nem sempre é um erro. Mas neste caso, ele foi modificado para pior. Frases jogados ao léu, conceitos sem conclusão alguma, Sindrome do Pãnico, viagens astrais, esquizofrenia, assuntos jogados. Se não teria tempo para abordá-los, era melhor não tê-los inserido. Nem de longe é o sentimento de libertação, a princípio para querer acelerar o processo de morte e depois de prolongar o que lhe resta de vida, que se tem no livro. Tão pouco a intensidade, que no livro é um turbilhão de pensamentos e reflexões, foi adaptado com minutos de silêncio arrastados somados a uma fotografia fraquíssima. Uma pena de verdade. Eu acho até caberiam pensamentos em off, já que ela não teria mesmo com quem falar, é triste ver um tema mal aproveitado.

Conclusão? Não chega a ser ruim, se não comparado ao livro. Mas se você quiser assistir pela história, sugiro que faça um esforço e leia o livro. O filme deve trazer no máximo um décimo da experiência que o livro traz.  Bem, tente. Talvez assistindo o filme tenha curiosidade de ler o livro. Ou não.

Cinemusic: Hello Sunshine em Um certo Olhar

Cinemusic será a nova sessão do Cinesense que tratará de músicas temas, músicas marcantes de filmes….

“Tão difícil dizer adeus
Significado do dia de hoje
Eu já dei adeus antes
Deixei-o sozinho
no mar
É tão difícil dizer adeus.

Olá luz do sol,

Entre na minha vida
Honestamente
Já faz muito tempo
Desde que tivemos razão para deixar de sorrir
Olá luz do sol
Entre na minha vida”.

Hello Sunshine faz parte da trilha sonora de “Um certo olhar”. Como o próprio nome diz, é um olhar diferente da vida. Pessoas com visões diferentes, e maneiras diferentes de ver a vida e de entender a vida e encarar a vida. O filme é um drama em que Alex Hughes (Alan Rickman) dá carona a Vivianne, mas ocorre um  acidente de carro, causando-lhe a morte. Atormentado pela culpa, Alex resolve procurar a mãe de Vivienne e encontra Linda(Sigourney Weaver) , uma mulher com uma diferente percepção da vida.

O filme tem um descompromisso com o jeito hollywoodianoso tornando-o  mais real e singelo.E a música reflete a personalidade de Vivianne, uma garota alegre, animada, diferente, um contraste do próprio Alex. E me marcou de uma maneira tão forte que volta e meia me vejo cantando “Hello Sunshine, come into my life…”. Depois de assistir ao filme, sentirá a música de outra maneira. Quando tudo parece triste, cansativo, este convite da luz do sol ir ao encontro da sua vida, faz sentir como se ele me iluminasse, mesmo que o dia esteja chuvoso.

Difícil dar detalhes do filme. Mas vale a pena ser visto. Por muitas vezes quando se sentir sozinho, vai repetir, Hello Sunshine come in to my life…

Um Certo Olhar(Snow Cake)

Hello Sunshine- Super Furry Animals

Atividade Paranormal

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“Não consigo mais ficar no quarto.Não consigo ficar nessa casa, Micah. Tem demônios aqui”.- Katie F.

Ufa, consegui terminar de assistir “Paranormal Activity”. Ainda estou viva e nada se mexeu. Graças a Deus. Eu não gosto muito dos filmes de terror, não que eles sejam ruins, eu tenho medo mesmo. Mas o hype desse filme me pegou. Passou as duas últimas semanas no Trending Topics do Twitter, e isso é alguma coisa. Sabia pouca coisa sobre ele, filme estilo Bruxa de Blair, jeito de documentário. Um casal fica incomodado com fenômenos estranhos que acontecem na sua casa, e resolvem comprar uma câmera para filmar a noite quando eles estão dormindo.

Bem, o que posso dizer sobre o filme. Fiquei muito apreensiva já que acredito bastante que pode existir sim, outros planos, espíritos e outras coisas. Acredito, mas não faço questão de ver. Esse é meu lema. E se você é como eu, ou tem qualquer dúvida sobre o tema , ficará arrepiado. O filme te leva como ondas, de dias e noites, e a cada noite que se segue, você fica com mais medo do que possa acontecer a cada vez que as luzes se apagam, o relógio começa  correr, e você começa a procurar o que pode acontecer de diferente e sobrenatural nas cenas. E arrepia quando qualquer coisa, mesmo que mínima, aconteça. Outra coisa é o stress que os acontecimentos vão causando. Como cada um dos dois pensam e reagem. E essa tensão vai aumentando a medida que os dias vão correndo, e você começa a não querer que as noites cheguem, e você se sente impotente porque é inevitável que a noite chegue e você precisa dormir. Isso me deixou aflita. Por que quando chega a noite e as coisas começam a acontecer e…. ai, meu Deus…  Enfim, é isso aí. Não vou contar mais nada. Pra não estragar a experiência.Não é a toa que está tão bem falado. Vá assistir, e veja com seus próprios olhos. Só de contar fiquei arrepiada. Se você acredita, é provável que fique como eu. E se você não acredita eu nada disso e não tem medo de nada, assista também,talvez, você mude de opinião, ou ao menos finja que mude, para o seu próprio bem.

E aí? Você acredita?

This is It

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“É isso, eu estou aqui. Sou a Luz do mundo, sinto-me grandioso. Peguei esse amor, eu posso sentir. E agora sim, com certeza, é real”.- This is it- Michael Jackson.

Eu nunca fui fã de musicais. E sempre achei que cinema e música não combinavam(quando a música era mais importante que o cinema, que isso fique bem claro). Talvez ainda ache. Mas neste caso não há outro remédio. E como é amargo esse remédio. Tudo bem, eu não iria vê-lo ao vivo. Não por falta de vontade. E Madonna já disse nunca mais por os pés nesta ilha. Então minha chance de ver os dinossauros do Pop são praticamente nulas. Enfim. Acabei por ir ver This is it. E sinceramente não sei quantas coisas passaram pela minha cabeça.

Começando pelo básico do clichê: Por que ele tinha que deixar este mundo justo agora? Mas é inevitável pensar isso. Depois de tantos problemas com a mídia, depois de tantas polêmicas, ele tomaria o seu lugar de direito novamente. Sabe o filme Hook, quando Peter Pan adulto volta a terra do nunca, e os garotos perdidos começam a olhar ele pra ver se ele é mesmo peter pan? Pois é. Quando você olhava ele deslizando sobre o palco, apenas com os movimentos dos pés pensa: Ele está vivo. Sem querer fazer trocadilho ignorante. No sentido de ali dentro continuava sendo o Michael de Triller, de Beat it, do Moonwalk,  de Billie Jean .  Toda aquela mudança superficial não havia causado danos ao ser artista que ali vivia.

Uma coisa que eu tive vontade de fazer: Levantar e começar a dançar alí mesmo dentro do cinema. Meus pés batiam no chão de acordo com a música, minha cabeça balançava, mas eu queria pular, bater palmas… E não duvido que tenha havido algum cinema em que as pessoas se levantaram. Evidente que não aqui no Japão. Pensei: por que não passar esse vídeo em uma “times square” da vida? Por que apesar de ser um vídeo, ele é feito pra gritar, pra cantar junto, pra dançar.

Meu segundo pensamento clichê: ele será lembrado como o melhor dançarino pop. Me lembrei de um extra do DVD da Elis Regina, que seu filho João Marcelo fala que a mãe teve a tragetória de um astro. Mas ele fala isso com pesar e que não queria que isso acontecesse. E faz sentido. Deixar o mundo no auge e não na queda. Insensível, eu sei. De qualquer forma, ele é o grande Rei do Pop. E ainda bem que esse documentário existe, como uma grande carta de despedida. Uma carta alegre, que tudo enfim vai estar bem.

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